Revisão dos Métodos de Aplicação de Oxigénio na Fusão do Vidro.

Ao aumentar a quantidade de Oxigénio no ar acima dos 21% iniciais, aumenta-se significativamente a temperatura da chama alcançada por qualquer combustível. Por exemplo, o gás natural queimado ao ar alcança uma temperatura de chama de 1940º C, enquanto que a temperatura da chama de gás natural queimado com 23% de O2 é de 2010º C. Este efeito é mostrado no gráfico seguinte.

 
 
Temperaturas de chama mais altas no forno de vidro melhoram a transferência térmica à carga e ao vidro. Isto deve-se ao facto de os três mecanismos de transferência térmica, condução, convecção e radiação dependerem da temperatura da chama.
 
 
Condução: Q µ (Tf - Tp)
Convecção: Q µ (Tf - Tp)
Radiação: Q µ (Tf - Tp)
   
Sendo: Tf = Temperatura da chama
  Tp = Temperatura do produto
 
Às temperaturas de fusão de vidro, a radiação é a modalidade dominante de transferência térmica. As velocidades de transferência térmica por condução e por convecção dependem linearmente da diferença de temperaturas entre a chama e o produto, e ao contrário da transferência térmica devido à radiação, que é proporcional à diferença entre a temperatura da chama e do vidro, elevada cada uma à quarta potência. O Oxigénio aumenta a temperatura da chama, o que aumenta significativamente a radiação, modalidade predominante da transferência térmica. Por isso, com o enriquecimento com Oxigénio, o produto absorve mais calor, perde-se menos calor na saída do gás de combustão e o processo de queima é mais eficaz.
 
 
Enriquecimento com Oxigénio:
 
 
Nesta técnica, injecta-se Oxigénio no colector principal de ar de combustão , muito antes do ponto de entrada no forno. Esta técnica de pré-mistura com Oxigénio pode-se utilizar em fornos sem sistema de aproveitamento energético , em fornos com recuperadores ou em fornos com regeneradores que necessitem de uma melhoria em todo o processo de combustão.
 
 
Injecção de Oxigénio através de lanças:
 
 
Historicamente, este método tem sido o mais simples e eficiente na aplicação de Oxigénio para complementar a combustão Ar-combustível. A injecção de Oxigénio de lado, debaixo ou através das chamas de Ar-combustível, permite que os fundidores de vidro alcancem os objectivos em termos de taxas de produção, eficácia do combustível e qualidade do vidro. Os benefícios da injecção de Oxigénio aumentam ao conseguirmos colocar a mistura de Oxigénio com o combustível , no ponto onde é mais necessário; isto é, nas zonas de chama que necessitam de Oxigénio ou na sua zona inferior (do lado da superfície do vidro) onde as chamas Ar-combustível têm mais impacto sobre a transferência de calor ao banho. Pelo facto de sabermos quantas lanças se devem instalar, onde colocá-las e os caudais a utilizar, permite-nos fornecer a solução mais eficiente.
 

Apoio com queimadores Oxigénio-combustível:

Este método para aplicar Oxigénio é relativamente novo para os fabricantes de vidro e deve-se às novas disponibilidades de queimadores de Oxigénio-combustível desenvolvidas para a conversão total de fornos a 100% de Oxigénio-combustível. O conceito de apoio com queimadores Oxigénio-combustíveis , utiliza este tipo de queimadores posicionados no forno de fusão Ar-combustível com o objectivo de aumentar a produção, qualidade, rendimento e estabilidade do forno. Em função das necessidades dos nossos clientes , podemos adaptar o funcionamento de forma a conseguirmos os efeitos e benefícios desejados. O apoio com queimadores Oxigénio-combustível pode-se utilizar para aumentar a taxa de fusão num forno que tenha alcançado a sua produção nominal , que se tenha danificado devido a uma anomalia ou uma perda de eficácia do sistema de combustão Ar-combustível.

 
 
 
 
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